A escuta ativa é eficiente e pode ser terapêutica

Atualizado: 4 de Mai de 2019

A escuta faz parte da comunicação e precisa estar presente nos mais diferentes segmentos profissionais e demais relações interpessoais



A diferença entre ouvir e escutar pode ser insignificante para a maioria das pessoas; sutil, passa despercebida na comunicação. Segundo o Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, ouvir está mais ligado aos sentidos da audição: "Entender, perceber pelo sentido do ouvido". Escutar, por sua vez, segundo o mesmo dicionário, significa "prestar atenção para ouvir; dar atenção a; ouvir, sentir, perceber…". Escuta-se no momento em que se investe atenção no discurso alheio. A escuta é uma estratégia de comunicação e, quanto mais eficaz, melhor desempenhará seu papel de compreensão do outro.


Há, na literatura, discussões relevantes acerca da importância da escuta nos mais diversos segmentos. Importante mencionar que a escuta atenta deve estar presente em qualquer segmento de comunicação para bem atender ao propósito desta: a compreensão do outro a partir da palavra dita como pressuposto para auxiliá-lo naquilo que possível for.


A escuta apresenta-se como uma estratégia de comunicação essencial para a compreensão do outro

Na literatura, algumas expressões são utilizadas para nomear a escuta enquanto processo terapêutico: escuta ativa, escuta integral ou atenta, ouvir reflexivamente, escuta compreensiva, escutar ativamente e escuta terapêutica. A Escuta Terapêutica pode ser definida como um método de responder aos outros de forma a incentivar uma melhor comunicação e compreensão mais clara das preocupações pessoais. É um evento ativo e dinâmico, que exige esforço por parte do ouvinte a identificar os aspectos verbais e não verbais da comunicação (Mesquita e Carvalho, 2014)


Escutar envolve empatia!


Segundo o Ministério da Saúde, a escuta é uma ferramenta que lida com a dimensão subjetiva do adoecimento psíquico (Amarante, 2011 apud Lima, 2015). O adoecimento psíquico está presente nos mais diversos segmentos sociais, mas não só no adoecimento psíquico a escuta terapêutica se faz presente: ela precisa ser uma prática comum entre aqueles que tem a escuta como parte de sua atividade profissional.


“Escutar é uma atitude ativa, dinâmica, que exprime esforço para compreender a significação do que é dito, incluindo identificações ou tentativas de identificações com a pessoa e com sua situação” (Pajés, 1976 apud Souza, 2013). Ouvir é um “instrumento essencial para compreensão do outro, é uma atitude positiva de calor, interesse e respeito, sendo, portanto, terapêutica” (Benjamin, 1983 apud Souza, 2003).


Ademais, notoriamente, a escuta terapêutica mostra-se eficiente no que se refere à inclusão social. Nós agimos de acordo com o que escutamos, e a palavra é um vínculo que aproxima o eu do outro, pois dá sentido ao discurso.


A escuta atenta cumpre um papel fundamental na compreensão do outro, pois o discurso deste é capaz de demonstrar muito mais do que fatos, mas, também, o estado emocional desse sujeito. Por isso, a importância da escuta terapêutica adentrar nos mais diversos segmentos profissionais. Só para ilustrar, na teoria psicanalítica, a escuta possui um papel imprescindível: é através dela que se dá a expressão de sentimentos, emoções, e percepções. Utilizada como um recurso terapêutico, a palavra do paciente era vista como possibilidade de compreensão do sofrimento humano. “Freud propõe a todo tempo – e desde o início de sua experiência clínica no Hospital Salpêtrière com Charcot – que o paciente fosse escutado” (Macedo, 2005).


Mas não só na clínica psicanalítica ou no decorrer de tratamentos psicoterápicos a escuta ativa se faz presente. Ela precisa ser característica essencial em qualquer segmento profissional, em qualquer relação interpessoal. A escuta é parte da comunicação e nela precisa estar a empatia e o respeito mútuo.


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Referências:

MACEDO, Mônica Medeiros Kother; FALCAO, Carolina Neumann de Barros. A escuta na psicanálise e a psicanálise da escuta. Psychê, São Paulo, v. 9, n. 15, p. 65-76, jun. 2005. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382005000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em 31 ago. 2018. PAGÉS, M. Orientação não diretiva em psicoterapia e psicologia social. Rio de Janeiro: Forense – Universitária; São Paulo: EDUSP; 1976.

RODRIGUES, ARF. Relações interpessoais enfermeiro-paciente: análise teórica e prática com vistas à humanização da assistência em saúde mental [tese livre-docência]. Ribeirão Preto (SP): Universidade de São Paulo; 1993. BENJAMIM, A. A entrevista de ajuda. São Paulo: Martins Fontes; 1983.

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